segunda-feira, 3 de junho de 2013

O HOSPITAL PEDIÁTRICO QUE NUNCA FICA PRONTO

Salomão Larêdo, escritor e jornalista

A Saúde Pública no Pará e os estádios de futebol à copa das confederações e do mundo, no Brasil.

Tem pelo menos uns dez anos a construção deste hospital pediátrico na avenida Magalhães Barata, esquina da trav. 14 de abril, colado no Hospital Ophir Loyola Começou na primeira gestão do governador Simão Jatene, passou pelo governo Ana Júlia e desembocou novamente em Jatene só na casca e até agora, nada. Quanta dor poderia ser evitada ou mitigada se tivesse sido construído no tempo prometido? Neste tempo de inconstrução quanta criança não precisou deste espaço para recuperar sua saúde? Quanta lágrima muito pai e mãe não vem derramando sem ter a quem recorrer e apelar para amenizar o sofrimento do filho, do neto, sobrinho, acometido de doença difícil de ser solucionada?

Quando assisto pela televisão a inauguração de tanto estádio de futebol pelo Brasil -  o Maracanã, lindíssimo e moderníssimo e todo seu entorno, caríssimo -   causa-me enorme revolta e indignação.

REVOLTA porque nem isso pudemos usufruir: estádio novo, jogos da copa do mundo. A Amazônia poderia ter sido agraciada com duas sedes: Belém e Manaus. E Belém fica mais uma vez sem essa possibilidade de pelo menos correr aqui alguma verba que gerasse mais empregos da construção de um novo e moderno estádio e o povo não mendigasse bolsa de todo tipo que não o promove à dignidade cidadã.

INDIGNAÇÃO porque os estádios custam uma fortuna e nós aqui no Pará, vivemos mendigando recursos para construir merrecas de pontes, como por exemplo, as do Baixo-Tocantins, posto de saúde sem médico, sem equipamento e sem medicamentos, o povo morrendo sem assistência à saúde, sem transporte decente, sem energia elétrica, sem segurança em suas casas, sem escolas, sem material e imaginar que vivemos numa província mineral entupida de dólar como a Serra dos Carajás, exportamos milhões de toneladas pra China, energia elétrica pra todo o país, carne bovina pros árabes, toneladas de peixe ao nordeste.


INDIGNAÇÃO pois é daqui que nascem os recursos para construir os estádios e a melhor infra-estrutura pra outros Estados da República Federativa e nosso Pará, nosso povo e nossa gente passa necessidade, vive uma vida indigna, somos indigentes de tudo e ainda temos que curtir as festas da entrega dos estádios e o que de melhor os demais Estados usufruem e uma mídia que nos mundia à vida de consumidores (o consumidor atende ao espírito capitalista, não é cidadão pois contenta-se com respostas parciais, é conformista, não reage, é silente) nos elegantes e inacessíveis shópingues com suas bonitas lojas que vitrinizam coisas lindas e bonitas que só quem é granado pode ter. Que situação, meu Deus!! A quem apelar? Por isso, convoco os de consciência crítica e política a uma séria campanha de educação popular e formação do leitor para ver se saímos dessa jaula e nos conscientizamos de nosso sangue cabano e de que temos tudo para mudar esse estado de indignidade e tupinambamente, apesar dos saques violentos às nossas riquezas por parte dos ádvenas e, lutando por elas, viver uma vida digna!!! Topas?




Um comentário:

Cintia Costa disse...

Eu sou ainda mais rigorosa quanto a esse gasto do dinheiro público. Acho que enquanto não houver o básico como saneamento, saúde e educação, não se poderia gastar com coisas secundárias como esses estádios de primeiro mundo. Se há pessoas morrendo por falta dessa infraestrutura, como festejar o gasto bilionário com esportes?