sábado, 12 de janeiro de 2013

OS GRANDES LÁBIOS DE BELÉM

Salomão Larêdo, jornalista e escritor 

.A professora Cintia Costa, desde adolescente, é leitora dos meus textos e interage bastante, sugerindo, fazendo observações, críticas e ajudando a divulgar meu trabalho em toda parte, porque valoriza o autor local. Numa homenagem aos 397 aniversários de Belém, ela aparece nesta foto com o livro de poemas, ou melhor, de prosa poética. A capa é do Emmanuel Nassar, nosso artista e quem desejar ler o livro encontrará na Livraria da Fox, na trav. Dr. Moraes, entre Conselheiro e Mundurucus, em Batista Campos. 

VOCÊ CONHECE OS GRANDES LÁBIOS DE BELÉM ? 

Nesses grandes lábios, além do que o leitor deste blog está pensando, tem também:


TU, SUMANA, BOIUNASTE-ME ! 

O gaiola - lanchabarco - se aproximava abrindo as pernas das águas tucupi no amarelo tipitinga enbarrosado que me saudou em nome de uma Belémpajé de boca maior que a da cobra-grande e mergulhei, qual Jonas, da Bíblia, na baleia, no líquido amniótico tisnado de açaí, bacaba e bosta de seu ventre, zonzo, sem saber direito onde estava. 

Mundiado, tateando devagarinho, fui gostando do aconhego e plíquite: até parece que nasci aqui nesta Belém quase quatrocentona. 

Para quem viu o Tocantins da beira da ladeira da Vila do Carmo passar em direção à Tucuruí, Cametá era a cidade maior que vira até vislumbrar da bujarronabaía a porruda Belém que me encantou, fisgando-me por seus pitiús inhaquentos. 

E tudo nela era colorido. O mercado de peixe, as latas de óleo de cozinha da marca Pajeú cheias de pimenta de todo tipo e tamanho e a frutaria que virava de preço e quantidade na quase hora da boiosa: piramutaba cozida feita por donalady com alfavaca, chicória, vinagreira e uma pimenta no prato espremida, farinha de Bragança com arroz e feijão do sul e capilé. 

Veropeseei muito para saber de ti, Belém, que entre luas cheias e lançantes, fugias, dormias amofinada, arranchada e à vontade no engenho Murucututu te espreguiçando na fumacinha da enchente do rio Guamá em frente de ti mesma: 

veropesobaíafeiradoaçaífortedascostelasvelhacidadevehapalafita. 

Penei, jeouviste, penei e ralei. 

Rodei todas as tuas passagens: onze bandeirinhas, apertar da hora, santa fé, piquiá, quarubas, jambu...  

Perdi-me nas tuas ruas, avenidas praças, prédios, museus, bosques, mangais, estradanovabaciacondorpalaciodosbares. 

Nos suores e odores, chuvas, torós e trovoadas, de quando em vez, como matinta perera, assobiaste, na tua reconquista, no pé do meu ouvido. 

Comi manga com febre, bebi azeite de andiroba e tu nem aí pras minhas angústias. 
















Um comentário:

Cintia Costa disse...

Ler o Salomão é ler Belém, o Pará e a Amazônia.
Das ruas do Guamá, passando pelas praias de Mosqueiro veiajamos pelas tantas pitorescas cidades paraenses.
Os livros exalam paixão, amor, carinho, sedução, mistério, ciúme, raiva e todos os outros sentimentos que afloram ao adentrar em cada estória.
Ler o Salomão é viajar, é sentir, é imaginar um mundo dentro da nossa querida e sedutora Amazônia.
Amo ler Larêdo!