sexta-feira, 12 de julho de 2013

TEMOS QUE VALORIZAR O QUE É NOSSSO E TER NOVAS VISÕES DE ENSINO, EDUCAÇÃO E TRABALHO NA AMAZÔNIA COMEÇANDO EM ABAETETUBA COM A FACULDADE CATÓLICA QUE AÍ VEM E QUE COINCIDE COM A NOMEAÇÃO DE UM NOVO BISPO QUE É PARAENSE, CABOCO DA REGIÃO DE CAMETÁ, NATIVO DE OEIRAS DO PARÁ E SE CHAMA JOSÉ MARIA, CONHECE SUA GENTE, E OS COSTUMES DE SEU POVO É UM NOVO TEMPO DE MUDANÇAS. APROVEITEMOS ESSA AÇÃO CONCRETA MANIFESTAÇÃO DO ESPÌRITO SANTO DE DEUS

Salomão Larêdo, escritor e jornalista


Acho muito bacana que a diocese de Abaetetuba tenha sua Faculdade Católica – veja e leia abaixo a notícia que deu no jornal - e é uma grande alegria.

Mas, sugiro que pensem as graduações de interesse local para não ficar na mesmice das outras instituições que nos remetem ao século 19, quando estamos à beira do XXII e precisamos de outras visões aqui na Amazônia. E chamo a atenção: contrate a faculdade, como docentes, os próprios nativos que sabe tudo e pode ensinar, eles tem doutorado natural, empírico, que vale muito. Chamem os filhos da terra que estão aposentados: antigos juízes, desembargadores, poetas, médicos, para se misturar com sua gente e fazer um novo jeito de ensino e educação, de currículo. Chega de tanta teoria europeia e americana, aproveitamos o conhecimento do homem da Amazônia para fazer uma nova sociedade amazônica. Eis alguns:

A - produção de alimentos: açaí, capivara, pesca com anzol, tapagem, jacaré, mingau de castanha, arroz, suco de miriti, doce de cupuaçu, mel de cana, doçaria em geral, capilé, leite de onça e outros aperitivos e aguardentes.
B - Produção de arte local: brinquedo de miriti, de mututi, vimes, e outras madeiras , cipós, tecer peneiras, tipitis, artes em geral
C - Produção de manufaturas: telha, tijolo
D - Carpintaria naval: construção de barcos de madeira de todo tipo, canoas, montarias, cascos, rabetas,
E - Sociologia ribeirinha
F – Pedagogia da floresta, da beira do rio, da Amazônia
G- Linguística paraense, o dialeto das ilhas
H – Canto doméstico popular – cantigas de santo e de encantados do fundo e da mata
I – Gestor da Educação da vida (Sexual) – parteiras, benzedeiras, gente que sabe puxar barriga, desmentidura e contar as histórias do boto e outras lendas
J – Empreendedor ciclista: Fabricar e consertar bicicletas, aparelhagens de som, etc.
K – Farmacêutico popular: andiroba, copaíba, jambus, quinino, cipó de alho. (Texto de Salomão Larêdo)



Um comentário:

Cintia Costa disse...

Concordo com suas ideias! :-) Docentes com mestrados e doutorados de conhecimento herdado pelos antepassados da comunidade local. :-) O indiano Bunker Roy tem feito isso num lindo projeto de universade pés descalços no seu país.