domingo, 15 de abril de 2012

ODEMIR BARRIGA DA SILVA, O FEIRANTE MAIS VELHO EM ATIVIDADE NO VER-O-PESO

ODEMIR  BARRIGA  DA SILVA,  É , HOJE,

O FEIRANTE MAIS VELHO EM ATIVIDADE NO VER-O-PESO

E FREQUENTOU O BAR “ ÁGUIA DE OURO

ONDE SE FESTEJAVA SÃO BENEDITO DA PRAIA E LOCAL DE CONCENTRAÇÃO  DE ESCRITORES E JORNALISTAS ENTRE OS QUAIS

 BRUNO DE MENEZES E DE CAMPOS RIBEIRO,ALÉM DE JAQUES FLORES E OUTROS DA GERAÇÃO PEIXE FRITO

BONS TEMPOS, AQUELES  !!!!!


Odemir  Barriga da Silva, nasceu na cidade de Vigia, no dia 16 de dezembro de 1935, filho de Odermes Monteiro da Silva e de Maria Tomásia Barriga e cedo veio  morar com a avó, que o criou em sua casa à  rua dos Timbira,  no bairro do Jurunas, em Belém, onde  aprendeu  a profissão de barbeiro que exerceu em inúmeras barbearias no próprio bairro do Jurunas, Condor, Cremação, Umarizal, Icoaraci e tantos outros.

No exercício de sua profissão de barbeiro, Odemir  recorda “um salão , no Jurunas, que  ficava - perto da Aldeia do Rádio, estúdio e local de transmissão da  Rádio Club do  Pará, a PRC-5, única emissora  de rádio, em Belém, além da  Radional -,  na av. Roberto Camelier, que ficava ao pegado da mercearia e estância Modelo, que era do seu Moacir e depois trabalhei no salão do seu Manoel Sarará, que era presidente do Imperial.[1]
E depois que rodara em muitas e diversificadas barbearias de Belém, foi convidado para  exercer a profissão de barbeiro no centro da cidade, local de movimento e concentração de gente e recursos e então “vim trabalhar no famoso “Salão Malagueta”, em pleno Mercado de Ferro do também afamado Ver-o-Peso, no dia 2 de agosto de 1953”.

Do Ver-o-Peso, Odemir Barriga não saiu mais. Evoluiu de empregado a gerente, depois patrão e dono do salão “Lírio de Ouro” que funcionou bastante tempo no mercado de peixe. Antes disso, conta, penou muito e trabalhou diuturnamente. Eu era barbeiro e estivador, dormia no Ver-o-Peso pra dar conta do serviço e pagar os compromissos. Mas eu bebia muito,”dormia porre e acordava bêbado” e porque gostava de beber, passou a frequentar o Bar “Águia de Ouro[2]”, cujo dono, seu Manoel Sarmanho, era um português boa praça, amigo de todos e, relembra os parceiros : Carrão, Paciência,  Mota, Milagrosa e outros.
Foi ele o responsável pela festa de São Benedito da Praia” que originou o livro homônimo do poeta Bruno de Menezes, que Barriga diz ter visto, juntamente com outros escritores e artistas que frequentavam o Ver-o-Peso e o Bar  “Águia de Ouro”do seu Manoel, sem saber que se tratava de grupo de escritores que se denominavam de “geração peixe frito”.

Odemir conta que a festa de São Benedito movimentava toda a feira e que depois do falecimento do seu Manoel, além de ter cessado a festividade, o famoso ponto, chamado de canto do mercado e conhecido porque fica embaixo da torre, foi vendido, o bar fechou e o ponto passou por muitos donos até chegar hoje a ser, no local, a “Casa do Pescador”, propriedade do seu Joaquim, que é paraense e vende tudo que é material de pesca.



Odemir Barriga já procurou conversar com seus colegas da feira para ver se reativam a festividade, “mas  meu amigo, os tempos são outros, a feira cresceu muito e é preciso ter o consenso de todos para que uma festividade assim funcione. Para você ter uma ideia, naquela época, aqui, no Ver-o-Peso, droga era vendida livremente, não havia proibição, o sujeito oferecia maconha como quem oferta limão ou tomate e não me lembro de tanta violência como nos dias de hoje em que a droga está proibida. Eu me lembro que havia, perto do bar do seu Manoel Sarmanho, uma banca de jogo, que no período da festa,  não funcionava, em respeito ao santo. Como disse, essa festividade era uma iniciativa  do seu Manoel, a festa era dele, do bar dele, embora houvesse mastro e todos nós nos envolvíamos com aquilo e cooperávamos para que a festa fosse, a cada ano, ainda mais bonita, Mas, ele tinha o apoio do governador Magalhães Barata, de quem era protegido por ser correligionário, ou como se dizia na época, baratista.

Odemir não sabe informar dos familiares do seu Manoel Sarmanho, se retornaram a Portugal ou ficaram em Belém. Outro dia, conta,”ouvi  noticiário na televisão citando o nome  Everaldo Sarmanho, comandante da policia, não sei se é parente dele, quem sabe?”

Hoje, Odemir tem uma lojinha[3] de artigos de umbanda, onde trabalha com sua mulher Jacirema Ferreira Matos e sua filha Júlia Telma da Silva Profeta e contratou a ajudante Francilene da Silva Lima e onde nos concedeu esta entrevista.


Posso lhe dizer que estou bem e vivo bem para um caboco que veio da Vigia, que tirou apenas o curso primário e continuo trabalhando, gosto daqui, minha vida foi toda neste Ver-o-Peso, daqui tirei meu sustento e de minha família com  minha  mulher Antônia Martins da Silva, mãe dos meus oito[4] filhos e já falecida, por isso, viúvo, me casei com minha atual mulher, Jacirema, que é essa que lhe apresentei.

Mas, mesmo com meu pouco estudo, sei ler e leio porque a leitura desenvolve, foi com a leitura que pude ir mais além e com ela, permaneço atualizado com as coisas do mundo, assisto televisão, tenho celular e sei da importância das novas tecnologias, sou um homem sempre atento.

No início de minha vida, com este meu jeito, fui Presidente, por muitos anos, do Sindicato dos Oficiais Barbeiros e nosso advogado era o Dr. Itair Sá da Silva. Hoje continuo envolvido nessas lutas de classe e tenho convivência no Sesc, no Senac, Federação das Indústrias e assim vou vivendo, alegre, feliz e satisfeito”, sempre trajando roupa branca: camisa, calca, meia e sapato, porque “sou profissional barbeiro e  tenho este ponto que denominei de “Iemanja”  - neste Solar, provisoriamente instalado, enquanto o mercado está em obras. Já me adaptei, deu trabalho no começo, mas agora, estou acostumado, que, se quiserem me deixar aqui, agradeço" -, com quem seu Odemir quis posar para uma das fotos que ilustram esta matéria.




[1] Clube beneficente  do bairro do Jurunas ainda hoje em atividades e onde se faz muita festa dançante.
[2] Odemir  recorda  vagamente ter  visto  Bruno de Menezes e certamente outros participantes da “Geração Peixe frito”, mas  não  conheceu pessoalmente nenhum deles  e não sabia  que eram integrantes desse movimento  de que  jamais ouviu  falar.
[3] Com a reforma do Mercado de Ferro, o Solar da Beira está servindo de abrigo a alguns feirantes, entre os quis, seu Odemir, que deve voltar ao seu ponto antigo no próprio mercado, brevemente.
[4] Todos, graças a Deus,  encaminhados na vida, informa Odemir, anunciando que  Julia, a filha mais velha que o ajuda, acabara de chegar  na loja.

7 comentários:

carlos9.colmenares@hotmail.com disse...

parabens pela materia adorei e fico muito orgulhosa de ser filha desse grande homem chamado odemir barriga

carlos9.colmenares@hotmail.com disse...

PARABENS LAREDO SUA MATERIA FOI EXCPCIONAL MUITO BEM ELABORADA MARAVILHA MAS SOU EU SER FILHA DESSE HOMEM CHAMADO BARRIGA BUENAS NOCHE

carlos9.colmenares@hotmail.com disse...
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ledda_hta@hotmail.com disse...

odemir tem 7 filhos eu sou a 5 filha dele jucileyde gostei muito dessa materia uma das melhores ele esta c 77 anos e ainda continua exercedo a sua tarefa na feira do ver o peso parabens lacerda

Anônimo disse...

parabens lacerda vc nao so entrevistou o mas velho feirante mas sim o melhor pai do mundo o cisne BRANCO DO VER-O-PESO sou a filha 2 do barriga esse exemplo de homem

Anônimo disse...

PARABÉNS PELA REPORTAGEM,ESSE HOMEM LUTADOR E GUERREIRO,É MEU PAI E SEMPRE FOI UM EXEMPLO PARA NÓS,OBRIGADA ODEMIR BARRIGA DA SILVA!

Caroline Martins disse...

Todas as vezes que leio essa reportagem me emocino muito,pela história de vida desse grande homem,sou a oitava filha dele(na verdade sou neta mas ele me registrou e me criou como filha).Obrigada Salomão Larêdo por proporcionar para o mundo a história desse grande guerreiro,meu pai-héroi.Exemplo de fé,força e determinação.