terça-feira, 8 de novembro de 2011

BELÉM, A BOIÚNA QUE NOS ENCANTOU

Salomão Larêdo

Imaginei que fosse possível publicar livreto comemorativo do cinquentenário de nossa chegada a Belém dia 8 de novembro de 1961. Não deu. Mas, virá, breve, livreto contando a saga da qual , eu e meus irmãos somos personagens principais e enquanto essa hora não chega, extraio dele a narrativa que a Zuzu e o Zeca sucintamente dizem como aconteceu: “[ ...] É a querida Zuzu – Zuleide Pereira Gonzaga – afilhada de papai e prima da mamãe – que desde cedo morou conosco, e o José, hoje professor de História, quem contam:

Em meados de agosto, a Lady veio a Belém – hospedava-se na casa da tia Zizi (Obdúlia Gonzaga Braga), na avenida Generalíssimo Deodoro, 1027, pra procurar casa pra alugar. Encontrou, na Passagem Umariz, 258, Cremação.

No dia 08 de novembro de 1961, meu padrinho Milton Larêdo nos trouxe de Tucuruí, no motor “Tocanvia”: eu, Adalcinda (17 anos), e Abrão (4 anos). Chegamos em Belém. Era de noite e fomos de carro de praça à casa da tia Zizi e em seguida à casa da Umariz.

Meu padrinho havia tirado um mês de licença para proceder essa mudança. Dias depois, foi à Vila do Carmo buscar o José que estava no Maxi, em Mocajuba, morando com Artênio e Dinoca. O José ia fazer dez anos de idade.No final do ano chegou o Salomão, que tinha 12 anos e estava estudando em Cametá depois que veio de Baião.

A Ocirema já morava em Belém desde 1960, na casa do padre José Ribamar de Souza e de sua mãe, dona Alzira, num apartamento nos altos da igreja de são Judas Tadeu, no bairro da Condor. Ocirema fazia companhia à mãe do padre e estudava , conforme acertara o seu tio David, que estava no seminário.

Pois bem, chegamos de noite, de carro de praça, na casa da Umariz e foi o maior transtorno porque não havia nada dentro dela, toda a nossa bagagem estava no motor Tocanvia – que pertencia à Estrada de Ferro do Tocantins, onde meu padrinho trabalhava.

Só de manhã cedo meu padrinho Milton, junto com a Lady, foram buscar e deram umas viagens para poder trazer toda a nossa bagagem.Tudo era novidade para nós que nunca tínhamos vindo a Belém. Ninguém nos conhecia na cidade e na Umariz. [...] “

Era casebre feito com madeira refugada, construída em terreno charcoso, estilo chalé e coberto de palha com duas caídas, cumeeira em madeira e pertencia a senhora péssima e má proprietária, ignorante, que sempre ia à casa uma semana antes do mês completar para cobrar o caro aluguel que minha mãe pagava regularmente e quando minha mãe reclamava algo, ela, de forma humilhante, pernóstica, arrogante e prepotente, dizia: porque não vai morar no Manoel Pinto da Silva ?

Quem nos socorreu nesses primeiros momentos em Belém, foi o seu José Maria Lameira Pinto, dono de uma oficina de móveis ao pegado de nossa casa.

Zuleide, Adalcinda. Ocirema, Salomão, José e Abrão, agora, sem seu Milton e dona Lady, mas, com suas famílias, comemoram, dia 2 de dezembro, o aniversário do José que fará sessenta anos e hoje, o cinquentenário da chegada dos Larêdo em Belém, ocasião em que foram mundiados pela Boiúna que os encantou às alegrias de viver na cidade que os acolheu com amor e carinho e deu chance de crescer porque investiram em educação, cultura e leitura.

Agradecemos o que somos e temos, a Deus, a nossos pais, a Nossa Senhora do Carmo, Virgem de Nazaré, São Judas Tadeu, Santa Maria de Belém e um mundão de gente que nos ajuda na caminhada.

Um comentário:

Joao Brandao disse...

Que lindo tudo isso! O Padre Ribamar era uma pessoa única - homem moderno, culto, com fala fluida e muito carinho por seus párocos. Cheguei a visitá-lo em 1985, pouco antes de falecer. Lendo suas memórias minha mente se deslocou aqui de Jackson Heights, Queens, NYC, minha cidade há mais de 20 anos, para uma Belém que ainda brilha com muita intensidade em minha mente!